terça-feira, 26 de junho de 2012

A desigualdade educacional


Em varias áreas,a desigualdade ainda é uma das características mais marcantes do nosso país, um eco da nossa historia que torna comum a ideia de que é natural que existam diferenças de oportunidades entre os grupos sociais.
A desigualdade educacional talvez seja a mais cruel de todas. Tão importante quanto melhor a qualidade da educação básica, garantindo a aprendizagem de que os alunos precisam para a vida, é combater as desigualdades educacionais.
Diversos indicadores educacionais apontam para resultados extremamente desiguais. E um resultado puxa o outro.
As crianças que vivem em famílias mais pobres frequentam menos a educação infantil. A taxa de conclusão do ensino médio é menor entre os jovens cuja mães tem baixa escolaridade. As escolas que apresentam resultados de desempenho mais baixos estão concentradas nas regiões mais pobres.
Em um país tão desigual, as medidas dizem pouco. Elas são insuficientes para a avaliação dos cenários reias. Escondem, por exemplo, os que estão muito lá atrás ou os que estão muito a frente.
Quando o foco era universalizar as matriculas, as políticas eram mais homogêneas, pois construir uma escola, por exemplo, para uma criança com mais dificuldade em matemática é igual a construí-la para outra que esteja defasada em leitura e escrita.
Atualmente, o maior desafio é a qualidade do ensino, o que torna a política educacional mais complexa, pois ganhos de qualidade com maior equidade dependem de reconhecermos as diferentes necessidades de cada rede, escola e aluno.
Portanto, precisamos ter diagnósticos claros e mais desagregados, estratégias diversificadas e mais precisas e implementação competente e mais eficaz.
Não existe qualidade sem equidade. Os países que estão no topo do ranking mundial da educação apresentam uma media alta de desempenho e baixa desigualdade entra os alunos e redes.
Um exemplo é o Canadá, pais entre os cinco primeiros colocados no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes),que, apesar de abrigar um fluxo imigratório intenso de famílias de varias partes do mundo, tem uma das menores desigualdades educacionais.
Este é o momento de termos políticas publicas especificas para problemas específicos, adequados a cada caso, que garantam uma atuação mais estratégica para lidar com um objeto muito mais sofisticado: a aprendizagem de todos e o combate à desigualdade.
Em uma sala de aula, nenhum aluno pode ficar para trás, esteja ele na região sul ou na região norte do país, seja ele de família de baixa renda ou alta renda. Os pontos de chegada dos alunos serão certamente diferentes, mas não se pode aceitar  que alguns alunos estejam tão defasados a ponto de acumular lacunas que impossibilitem seu sucesso ao longo de toda sua trajetória escolar,com aprovação e aprendizagem.
Hoje, o Brasil passa por um momento importante de crescimento. Mas crescer economicamente sem aumento da qualidade e da equidade na educação é um equivoco.
É hora de que os frutos desse crescimento sejam usados para melhorar a vida de todos. Acima de outras prioridades estruturais, como os nós logísticos de infraestrutura e da questão tributaria, se o Brasil quiser ser um país desenvolvido, sustentável, fortemente competitivo e socialmente justo, terá que colocar a questão da qualidade da educação no topo de suas prioridades.
Vale sempre lembrar que o direito à educação de qualidade é universal e igual para todos. O Brasil só será um grande país quando for realmente de todos.





FONTE: Folha de São Paulo

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